Poema de Corsino Fortes, poeta cabo-verdiano

Porta de sol (1974) 

I

Das colinas de colmo [1]

com portas de sol

Descem crianças

nuas e magras

como violas

As costelas dentro das cordas

Todas

primogénitas

do mesmo ventre

E filhas

Do mesmo vulcão E da mesma viola

Da mesma rocha E do mesmo grito

II

 

A ilha roda no rosto da criança

com a “vareta presa” na roda do vento

III

 

Nem sempre

A criança respira

um pulmão

roto de mapas

E assim

como as ilhas

Ao pôr-do-sol

Se alimentam

De fonema

Cada criança

É ditongo de leite

com sangue nas vogais

 

 


[1] Colmo: 1. Caule caracterizado por nós bem marcados e distintos, peculiar à família das gramíneas; 2. Palha longa extraída de várias plantas, empregada para cobrir cabanas, atar feixes, etc.

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2 comentários sobre “Poema de Corsino Fortes, poeta cabo-verdiano

    • blogs oswald 20/12/2011 / 14:14

      Caríssimo, muito obrigado pela visita. Seu blog também é muito bom. Parabéns.

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