Cinefilia – dicas de filmes

No dia em que descobrirmos o mistério da poesia, descobriremos também o mistério da música.

É mais ou menos com essas palavras que o estudioso Segismundo Spina aborda a relação íntima que existe entre essas duas artes em seu livro Na madrugada das formas poéticas (Ateliê, 2002).

Para quem se interessa por essa riquíssima relação é fundamental assistir ao documentário Palavra encantada (2009), de Helena Solberg.

Valendo-se de entrevistas e depoimentos de mestres da música brasileira, tanto os clássicos quanto os mais jovens, o filme explora a profícua ligação entre palavra falada e palavra cantada.

O tema é tão bom e tão rico que poderia render uma verdadeira série, com muitas horas de filme. O único senão que fica para o documentário é, portanto, o “gostinho de quero mais”.

Vejam aqui o trailer:

“Desnorteio”, de Paula Fábrio, na TV São Judas

O grande romance de estreia da escritora Paula Fábrio – uma das experiências mais intensas que tive como leitor nos últimos tempos – é abordado, ao lado de Boatos do Corpo, de Marcelo Donatti, no programa Arteletra Literatura.

Os dois títulos foram publicados pela editora Patuá, que vem realizando com protagonismo um investimento sério em autores estreantes.

Confiram a entrevista.

As pequenas que incomodam – por João Faccio

Abaixo, reprodução de texto de João Faccio no site Mais 1 livro sobre o papel heroico das pequenas editoras, seguido da entrevista com Eduardo Lacerda, editor da Patuá. 

As pequenas que incomodam

Elas são, muitas vezes, responsáveis pela verdade.

Durante os ataques americanos contra o Afeganistão a secretária de estado dos Estados Unidos, Condolezza Rice, convocou os grupos de televisão norte-americanos para que não mostrassem cidadãos feridos, machucados ou em estado de pânico na programação. E esse comunicado não ficou resumido à TV. Durante esse tempo, nenhuma editora de renome publicou qualquer livro com críticas ao assunto ou ao governo Bush. Coube às pequenas editoras jogarem os fatos no ventilador – e aí sim, as “grandes” editoras seguiram suas publicações anti-Bush.

Elas lançam novos autores para as editoras maiores relançarem depois.

Vale lembrar que, no mercado americano, 80% dos livros lançados por editoras pertencem a um grupo de cinco grandes empresas. Os vinte por cento são divididos entre pequenas e médias editoras, muitas (muitas mesmo) vezes responsáveis por lançarem novos autores e os colocarem no grande mercado, ou seja, muito do que se vê no grande mercado editorial já pode ter sido lançado (e menosprezado) anos antes, por um selo menor.

Elas não pensam exatamente – e somente – no lucro.

As pequenas casas precisam, como qualquer ambiente composto por humanos, de dinheiro para se manter. Para lançar novos livros, para pagar funcionários, para pesquisar, para pagar contas, para uma série de coisas. O curioso é que, por mais que frequentemente as pequenas precisem urgentemente de verba (para pagar qualquer um dos pontos acima), elas insistem em buscar qualidade. E aqui entram três ótimos exemplos disso: a Não Editora, a Dublinense – estas do Rio Grande do Sul – e a Patuá, de São Paulo.

Elas não cansam.

Ao mesmo tempo em que as publicações virtuais, e-books e outros crescem continuamente, as pequenas continuam a investir nos livros impressos. E é assim que se alastram em nosso país: na contramão do mercado e na via da qualidade. Elas não prezam somente por autores de qualidade e relevância literária para o nosso contexto, mas também por boa qualidade gráfica e suporte editorial. E é assim – e vai continuar sendo, por um bom tempo – que muitos novos grandes autores serão revelados.

Elas sobrevivem.

Conversei com o Eduardo Lacerda, editor da Patuá, sobre o que é sobreviver no mercado editorial brasileiro. Confira a entrevista a seguir.

[Faccio] Como você vê o mercado editorial brasileiro atual?

[Lacerda] Se pensarmos na estrutura editorial no/do Brasil podemos dizer que existem diversos mercados editoriais. Existem as grandes editoras, as editoras alternativas, as sob demanda, as de livros objeto e de arte, as que agora trabalham com e-book.

Mas, de uma maneira geral, nunca foi tão fácil e barato produzir um livro. O grande desafio ainda é conseguir distribuí-lo e encontrar leitores. Pensa-se muito no ‘mercado’ editorial, mas pouco na formação de público leitor.

Você pensa que as coisas tendem a melhorar?

Eu acredito que as coisas melhoram quando queremos melhorá-las. Só tenho o desafio com a Patuá porque quis criá-la. Melhorar também pode ser entendido de muitas maneiras. Acho que melhorar, para a Patuá, é continuar recebendo bons títulos e encontrar um público que queira absorver essa nossa produção. Trabalhamos para isso, então acredito que as coisas tendem a melhorar sim.

Quais são as dificuldades de se ter uma editora do porte da Patuá?

A Patuá é uma editora pequena, nossas dificuldades foram criadas a partir de nossas propostas e objetivos: publicar bons livros, de autores estreantes, de maneira gratuita e com qualidade literária e editorial. Eu cuido sozinho da editora, exceto os projetos gráficos, que são realizados por artistas (o que não sou), mas as outras tarefas da editora eu assumo sozinho: a edição, as vendas, a administração da empresa, os envios pelos correios, pago as contas.

Qual é o seu prazer em ter a Patuá?

Não existe um prazer em se ter uma editora, existe prazer em ter contato com bons autores que eu publico. A editora é um veículo para conhecer essas pessoas e trabalhar os livros delas.

Fonte: http://www.mais1livro.com/

Graciliano Ramos: 60 anos de morte

O ABCD em Revista homenageia o grande escritor alagoano, morto há 60 anos, com “Graciliano Ramos: a escrita concisa e reveladora do Brasil.”

http://www.tvt.org.br/watch.php?id=12664&category=203

Escritores comentam sobre a variedade linguística

Importantíssima entrevista com Marcelino Freire e Cristóvão Tezza, em maio de 2011, para o programa Entre Aspas (Globo News), em que os dois reconhecidos escritores contemporâneos rechaçam a posição estreita e conservadora que as mídias  têm em geral em relação ao uso e ao ensino da Língua Portuguesa no Brasil.

Vale a pena conferir.