Cinefilia – dicas de filmes

No dia em que descobrirmos o mistério da poesia, descobriremos também o mistério da música.

É mais ou menos com essas palavras que o estudioso Segismundo Spina aborda a relação íntima que existe entre essas duas artes em seu livro Na madrugada das formas poéticas (Ateliê, 2002).

Para quem se interessa por essa riquíssima relação é fundamental assistir ao documentário Palavra encantada (2009), de Helena Solberg.

Valendo-se de entrevistas e depoimentos de mestres da música brasileira, tanto os clássicos quanto os mais jovens, o filme explora a profícua ligação entre palavra falada e palavra cantada.

O tema é tão bom e tão rico que poderia render uma verdadeira série, com muitas horas de filme. O único senão que fica para o documentário é, portanto, o “gostinho de quero mais”.

Vejam aqui o trailer:

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Guimarães Rosa, esse rio infinito

No último dia 28 comemoraram-se os 103 anos de nascimento, em Cordisburgo, Minas Gerais, de um dos maiores prosadores do século XX, João Guimarães Rosa, autor de um verdadeiro monumento à língua portuguesa, Grande sertão: veredas, publicado em 1956. É tentador, nesse começo de férias escolares, re-embrenhar-me no vasto mundo inventado por Rosa, reencontrar seu labirinto de espelhos, onde bem e mal, Deus e Diabo, sangue e palavra se misturam. Mas há  outras tantas leituras agendadas, e pretendo ser fiel a elas.

Não custa nada, porém, “arranhar” mais um pouquinho a trilha rosiana, deixando as últimas sugestões do Prefácio antes de dar por encerrado oficialmente o primeiro semestre (embora esta postagem seja de julho).

Nas últimas semanas de junho, li com meus alunos do terceiro ano alguns trechos do romance de Rosa e, ao final do processo, tivemos a oportunidade de ver algumas das muitas releituras do mestre Guimarães que a nossa tradição musical realizou.

As que vimos e que indico aqui são as seguintes:

Desenredo, composta por Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Belíssima releitura da obra de Rosa, a partir do título do famoso conto das Primeiras estórias (1962).

Outras duas admiráveis releituras do autor de Cordisburgo foram gravadas por Caetano Veloso em seu Circuladô (1991), disco que considero uma verdadeira obra-prima:

Circuladô de fulô, composta por Haroldo de Campos. Maravilhosa engenharia concretista a partir da poética de Guimarães, com um arranjo que merece elogio à parte.

A terceira margem do rio, composta por Caetano Veloso e Milton Nascimento. Versão musical do consagrado conto A terceira margem do rio, presente também em Primeiras estórias. Essa versão musical  do conto de Rosa, além de belíssima em si mesma, aponta preciosas  percepções críticas e interpretativas da obra de Rosa.

Bem, caros queridos, o Prefácio volta agora só em agosto, provavelmente com comentários sobre leituras de férias, as minhas e as suas.

Fica já feito o convite.