Cinefilia – dicas de filmes

No dia em que descobrirmos o mistério da poesia, descobriremos também o mistério da música.

É mais ou menos com essas palavras que o estudioso Segismundo Spina aborda a relação íntima que existe entre essas duas artes em seu livro Na madrugada das formas poéticas (Ateliê, 2002).

Para quem se interessa por essa riquíssima relação é fundamental assistir ao documentário Palavra encantada (2009), de Helena Solberg.

Valendo-se de entrevistas e depoimentos de mestres da música brasileira, tanto os clássicos quanto os mais jovens, o filme explora a profícua ligação entre palavra falada e palavra cantada.

O tema é tão bom e tão rico que poderia render uma verdadeira série, com muitas horas de filme. O único senão que fica para o documentário é, portanto, o “gostinho de quero mais”.

Vejam aqui o trailer:

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Graciliano Ramos: 60 anos de morte

O ABCD em Revista homenageia o grande escritor alagoano, morto há 60 anos, com “Graciliano Ramos: a escrita concisa e reveladora do Brasil.”

http://www.tvt.org.br/watch.php?id=12664&category=203

“Um pouco mais, um pouco menos”, de Marcelo Masagão

Recebemos no Colégio Oswald de Andrade, segunda-feira agora (20 de junho), o cineasta Marcelo Masagão, que foi entrevistado por um grupo de alunos do segundo ano.

A entrevista foi concedida depois da exibição do filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos”.

Posto aqui  a primeira parte de um outro documentário muito interessante do diretor:  “Um pouco mais, um pouco menos”, disponível no Youtube.

Todo paulistano deveria ver este filme:

Bom feriado a todos.

Literatura sem bijuterias

Ainda no assunto leituras de férias, acabei de ler ontem O velho Graça, de Dênis de Morais, uma biografia sobre Graciliano Ramos, escritor que venho há anos relendo e estudando, principalmente seu romance Angústia.

Notícias sobre o livro de Morais. É uma obra tocante e admirável, fruto de pesquisa cuidadosíssima e de intensa sensibilidade de leitor, como se espera de uma boa biografia:  sensível sem ser irresponsável e fundamentada sem ser fria. Morais consegue isso.

Abordando o homem e o artista Graciliano Ramos, o autor acaba construindo um panorama da primeira metade do século XX, no Brasil e no mundo.

Curioso como a vida de Graciliano pode ser dividida em duas partes, uma anterior à sua prisão,  quando era um autor praticamente desconhecido e vivia no Nordeste, a maior parte do tempo em cidades alagoanas como Palmeira dos Índios e Maceió e outra posterior à prisão, quando se instalou no Rio de Janeiro e ali começou uma existência mais cosmopolita, com ampla interlocução entre a intelectualidade da época, chegando mesmo, já no fim da vida, a conhecer a União Soviética, a França e a Argentina.

Na primeira fase Graciliano é o humanista apartidário, apenas simpático a ideias progressistas, concentrado em construir seus “bichos subterrâneos”, suas grandes obras de ficção em primeira pessoa: Caetés, São Bernardo e Angústia. Na segunda fase, é o simpatizante e o militante do PCB, autor de um romance em terceira pessoa e duas obras-primas da literatura memorialística: Infância e Memórias do cárcere, que mantêm a intensidade narrativa das obras de ficção, apenas tomando como protagonista a sua própria pessoa. Na primeira fase, Graciliano parece mais ocupado em conquistar seu espaço imaginativo, cultivando monstros pessoais, e depois, distanciado daquelas criaturas matutas, já contextualizado no ambiente urbano e fervilhante do Rio dos anos 30, 40 e 50, parece olhar para o sertão de modo mais distanciado, mesmo em Vidas secas, que ele narra em terceira pessoa, e o gênero das memórias atende perfeitamente à necessidade de recordar e reconstituir o que já não é palpável.

Tocante conhecer os arroubos afetuosos do homem à primeira vista carrancudo. Delicioso confirmar que sempre zelou pela dignidade e pela coerência e que nunca traiu suas convicções mais profundas. Triste vê-lo definhando, ao fim do livro, pobre como um pedinte, mas sempre ao lado da encantadora esposa Heloísa e de alguns de seus filhos, como o escritor Ricardo Ramos, que para mim é outro destaque na obra de Morais.

Fechei o livro ainda mais intrigado com a figura desse homem, meu escritor brasileiro predileto. E hoje, novamente remoendo esse espaço seco e arredio que é o universo de Graciliano Ramos, encontrei este vídeo e decidi postar aqui para que outros conheçam parte da vida desse autor decisivo na literatura e na história do Brasil.

Dados sobre o vídeo encontrados no excelente site Mídias na Educação – NCE – Vídeos (link neste blog):

Graciliano Ramos – literatura sem bijouterias
Documentário da série Mestres da Literatura da TV Escola. Via Domínio Público.

Sinopse
A trajetória de Graciliano Ramos, de prefeito de sua cidade natal até tornar-se escritor. As atribulações pessoais e políticas de Graciliano. Sua obra e seu estilo literário refinado, marcada pelo romance regionalista. O programa mostra uma análise sobre seu principal livro, Vidas Secas.

Ficha Técnica
Direção e roteiro: Hilton Lacerda
Produção: Malu Viana Batista
Realização: Pólo Imagem e TV PUC para a TV ESCOLA/MEC, 2001
Duração: 20’02”